StockCar - Adrenalina milionária

Na Stock Car, os carros ultrapassam competidores em pegas emocionantes, muitas equipes e pilotos têm reais condições de subir ao pódio, as arquibancadas vivem lotadas, as transmissões na TV aumentam a audiência a cada prova, com grandes patrocinadores por trás do espetáculo. Entenda por que tem muita gente falando que a modalidade é mais emocionante que a F1

Desde Emerson Fittipaldi, na década de 70, o automobilismo sempre foi a segunda paixão do brasileiro. Mas, se a Fórmula 1 despertou e ainda desperta paixões com a Ferrari e Felipe Massa, uma outra categoria ganha ainda mais amantes das corridas. A receita de sucesso da Stock Car mistura adrenalina, show e negócios milionários. A principal modalidade competitiva do automobilismo nacional é a quinta maior do mundo. São 26 equipes, 50 carros e mais de 100 pilotos disputando milésimos de segundos e prêmios milionários em 12 provas ao longo do ano - incluindo uma etapa na Argentina.

No campeonato deste ano - faltam apenas duas etapas, Rio (18/11) e São Paulo (09/12) -, vários pilotos têm chances de levar a taça. De acordo com o regulamento, após oito etapas, os dez primeiros colocados do ranking recebem 200 pontos e ficam assim mais bem posicionados para um playoff emocionante. Os que têm mais chances: Cacá Bueno (o filho do Galvão, locutor da F1 na Globo), pela Eurofarma RC (Mitsubishi), Thiago Camilo, da Texaco, Rodrigo Sperafico, da Genéricos Biosintética (Volkswagen), e Felipe Maluhy, da Terra Racing (Mitsubishi). Podem surpreender: Marcos Gomes, Daniel Serra, Ricardo Maurício e Ingo Hoffmann.

Ao contrário das muitas vezes previsíveis provas da F1, as corridas da Stock Car têm pegas, com ultrapassagens e disputas empolgantes. A emoção na pista atraiu, ano passado, uma média de público de 33 mil pessoas, mais que o dobro dos pagantes no campeonato brasileiro de futebol. O interesse se repete nas transmissões pela TV. Se a Fórmula 1 atinge 18 pontos no Ibope, a Stock Car chega aos 13 de audiência - mais de 9 milhões de espectadores por prova. As corridas passam na Globo, ao vivo. A cada ano, estima-se que pelo menos 32 milhões de pessoas assistam ao evento na televisão. Resultado: a Stock Car reúne quase 90 patrocinadores, que movimentam cerca de R$ 100 milhões em negócios diretos.

A categoria existe desde 1979. Surgiu por iniciativa de uma turma apaixonada por carros de corrida. Entre 2005 e 2006, a Stock Car defi- nitivamente decolou. A empresa organizadora, a Vicar, passou a trabalhar num modelo inspirado na NASCAR, National Association for Stock Car Auto Racing, o campeonato automobilístico mais popular dos Estados Unidos, com mais de 75 milhões de fãs pelo mundo. A NASCAR fatura mais de 3 bilhões de dólares em vendas de produtos licenciados ao ano. Para seguir o exemplo da americana, a Vicar fechou com o mesmo patrocinador da empresa dos EUA, que deu seu nome para a temporada daqui: Copa Nextel Stock Car 2007.

A regulamentação da Stock Car de hoje também se baseia nos moldes da NASCAR. Exige-se, por exemplo, que se padronize a tecnologia utilizada pelas equipes nos carros - para privilegiar o desempenho dos pilotos, mecânicos e técnicos. Atualmente, três montadoras - Volkswagen, Mitsubishi e General Motors - participam da categoria. Cada time pode competir com dois carros e manter uma média de dez a 12 profissionais trabalhando nos boxes.

TODOS OS CARROS usam os mesmos chassi tubular, sistema de freios, suspensão, câmbio, pneus e classe de motor. Pode-se escolher entre o do Chevrolet Astra, o do Mitsubishi Lancer, o do Volkswagen Bora ou o do Peugeot 307 Sedan. A carenagem de fibra de carbono cobre o conjunto. A contrapartida é que a temperatura dentro do bólido atinge cerca de 60º. Por isso, pilotos usam uma espécie de camiseta refrigerada a água por baixo do macacão. Ou seja, além da técnica, pilotar um Stock Car requer preparo físico de atleta. Com praticamente o mesmo equipamento, as equipes e pilotos precisam se superar para conquistar um lugar no grid.

Aliás, a classificação acontece à base de regras que tornam os treinos mais competitivos que os da F1. Na sexta ocorrem as sessões livres. Aos sábados, os pilotos precisam pisar ainda mais fundo no treino cronometrado - que dura 1h30. Os dez primeiros vão para uma nova qualificação, que define o pole position. Todos têm chances muito próximas de classificar e de vencer uma prova. Pode acontecer de até 30 carros ficarem com o mesmo número de minutos e segundos de tempo. Há equipes e pilotos mais fortes e experientes, que acabam naturalmente se destacando. Mas a briga costuma ser por frações de milésimos de segundos.

Também existe disputa nos bastidores, até porque o dinheiro envolvido é alto. A organização do evento custa em torno de R$ 30 milhões por temporada. Ou seja: é grana certa para autódromos, hotéis e empresas, que gera 2.650 empregos diretos e indiretos e cerca de cinco mil temporários. As premiações chegam a R$ 3,5 milhões por temporada. Pilotos podem ganhar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão entre prêmios, patrocínios, palestras e contratos comerciais. E o campeão ainda fatura um extra de R$ 500 mil. Por isso, a categoria mantém a elite do automobilismo nacional - entre eles, oito ex-pilotos de F1.

Neste ano, a Stock Car teve patrocinadores milionários como a Goodyear, Texaco, Bosch e Nokia. “Além da corrida, acontecem, nos bastidores, exposição de produtos e há camarotes com infra-estrutura. São dez mil visitantes corporativos a cada prova”, afirma Carlos Col, presidente da Vicar. Se depender da competição enlouquecida nas pistas, o número deve crescer mais nos próximos anos.

POR DENTRO DE UM STOCK CAR
AS MECÂNICA DOS CARROS:

CHASSI
Tubular, feito em cromomolibdênio, com chapas de aço e fibra de carbono e revestimento antichama.

MOTOR
Todos são V8, com 450 cavalos de potência a 6.000 rpm. O consumo fica em torno de 1,5 km por litro.

SUSPENSÃO
Independente nas quatro rodas com barras reguláveis.

DIREÇÃO
Do tipo pinhão e cremalheira, com acionamento hidráulico por meio de bomba elétrica.

RODAS
De liga leve, com 10,5 x 18 polegadas, fabricadas no Brasil pela Binno.

PNEUS
Pirelli, fabricados no Brasil, modelo 285/645 VR 18, tanto na parte dianteira quanto na traseira. Em caso de chuva, são utilizados pneus frisados.

FREIOS
A disco, da Fremax, com sistema independente para cada uma das quatro rodas.

CÂMBIO
São permitidos dois tipos: um nacional (Bertolotti) e outro argentino (Saenz GT-910). Ambos têm cinco marchas.

TANQUE DE COMBUSTÍVEL
Ele tem capacidade máxima para 85 litros. É a gasolina, produzida pela Petrobras.

ÓXIDO NITROSO
Quando injetado no carburador, o composto NOS (aquele mesmo do filme Velozes e Furiosos) aumenta o limite de rotações do motor, gerando ainda mais potência. Só que a regra informa que ele só pode ser usado três vezes por prova.

PESO MÍNIMO DO CARRO
Cerca de 1.250 kg. Inclui o uniforme do piloto - macacão, luvas, sapatilhas, capacete e os fluidos.

FERA DA NOVA GERAÇÃO
Daniel Serra, da Red Bull Racing (Volkswagen), de apenas 23 anos, está em sua primeira temporada na Stock Car e já conseguiu uma vaga no playoff. Ele herdou muito do talento do pai, o também piloto e veterano das pistas Chico Serra. Daniel estreou no kart aos 14 anos e em 2002 foi vice-campeão da Fórmula Renault Brasileira, com três vitórias e quatro pole positions. Em 2006, ele conquistou o vice-campeonato da Stock Car Light, que abriu as portas para a categoria principal. Na estréia, fez a pole em Interlagos.

Por que você decidiu competir pela Stock Car?
ou piloto da Red Bull, que é uma superequipe, de um patrocinador que investe no automobilismo. A Stock Car é a categoria top do Brasil. É desafiadora. Os carros têm 100 cavalos a mais, os pneus são melhores e o câmbio é seqüencial. É um carro que exige uma atenção muito maior do piloto. E a gente anda no limite. O carro é o mais difícil e técnico que eu já guiei na minha vida. Como ele é mais pesado que um da Stock Light, eu preciso ter mais paciência. Não dá para entrar com tudo em uma curva, por exemplo. Mas é emocionante.

Como andar na ponta?
Se você se distrai por um décimo, pode perder dez posições. Por isso você precisa ficar, no máximo, a três décimos do primeiro colocado. A equipe precisa ser rápida e precisa.

Tira-se a diferença no braço?
É difícil, porque só tem fera pilotando. É preciso ser 100% perfeito. Na Stock não há margem para erros. Você precisa pontuar bem e em todas as provas. O campeonato só vai ser decidido na última prova, em Interlagos.

O INÍCIO DA CARREIRA DOS PILOTOS
O sucesso da categoria permitiu que ela promovesse duas portas de acesso. A Stock Car Light foi criada em 1993 para ser um canal de acesso para estreantes. Já a Stock Jr. é o trampolim para os campões do kart darem continuidade às suas carreiras e os prepara para o ambiente competitivo e técnico da modalidade principal. “A Stock Car criou condições para os grandes pilotos do automobilismo nacional não precisarem ir ao exterior para mostrar o seu talento”, explica Carlos Col, presidente da Vicar.

Fonte: Revista UM - Universo Masculino



Foto: Revista UM - Universo Masculino


In Stock Car, the cars exceed competitors in handles exciting, many teams and drivers have actual conditions of up to podium, the stands are crowded, broadcasts on TV increases the audience for each test, with major sponsors behind the show. Understand that has many people saying that the mode is more exciting that the F1

Since Emerson Fittipaldi, in the decade of 70, the car has always been the second passion of Brazil. But if the Formula 1 awakened and still arouses passions with Ferrari and Felipe Massa, another category earns more lovers of racing. The recipe for success for Stock Car mixture adrenaline, and show business millionaires. The main mode of competitive motoring national is the fifth largest in the world. They are 26 teams, 50 cars and more than 100 pilots competing thousandths of seconds and awards millionaires in 12 tests throughout the year, including a stage in Argentina.

In the championship this year, missing only two steps, Rio (18/11) and St. Paul (09/12), several pilots have chances to take the trophy. According to the regulation, after eight stages, the first ten placed the ranking receive 200 points and are thus better positioned for a playoff exciting. Those who have more chances: Cacá Bueno (the son of Galvão, announcer of F1 in Globo), Eurofarma RC (Mitsubishi), Thiago Camilo, Texaco, Rodrigo Sperafico, Generic Biosintética (Volkswagen), and Felipe Maluhy, the Earth Racing (Mitsubishi). They may surprise: Marcos Gomes, Daniel Serra, Ricardo Mauricio and Ingo Hoffmann.

Unlike the often predictable evidence of F1, the sport of Stock Car have handles, with overruns and disputes exciting. The emotion on the track attracted last year, an average audience of 33 thousand people, more than twice the number of paying in Brazilian football championship. The interest is repeated in the TV broadcasts. If the Formula 1 reaches 18 points in the Ibope, the Stock Car arrives to 13 audience-more than 9 million viewers per race. The races are in the world, live. Each year, it is estimated that at least 32 million people watch the event on television. Result: the Stock Car brings together nearly 90 sponsors, which handle about $ 100 million in business direct.

The category has existed since 1979. There on the initiative of a classroom passionate about car racing. Between 2005 and 2006, the Stock Car devel-nitivamente took off. The company organizing the Vicar, started work on a model inspired by NASCAR, National Association for Stock Car Auto Racing, the most popular automobile championship of the United States, with more than 75 million fans around the world. The NASCAR bill more than 3 billion dollars in sales of licensed products a year. To follow the example of American, the Vicar closed with the same sponsor of the U.S. company, which gave its name to the season here: Nextel Cup Stock Car 2007.

The rules of today’s Stock Car also is based on the NASCAR templates. It is required, for example, that if padronize the technology used by teams in cars - to focus the performance of pilots, mechanics and technicians. Currently, three automakers-Volkswagen, Mitsubishi and General Motors-part of the category. Each team can compete with two cars and maintain an average of ten to 12 professionals working in boxes.

ALL CARTS use the same tubular chassis, brake system, suspension, change, tires and class of motor. You can choose between the Chevrolet Astra, the Mitsubishi Lancer, the Volkswagen Bora or the Peugeot 307 Sedan. The carenagem carbon fiber covers the collection. The counterpart is that the temperature inside the bólido reaches around 60 º. Therefore, pilots use a kind of shirts chilled water below the macacão. That is, beyond the technical, piloting a Stock Car requires fitness of athletes. With virtually the same equipment, the teams and pilots need to overcome to win a place in the grid.

Moreover, the ranking is based on rules that make the drills more competitive than the F1. The sessions occur in the sixth free. On Saturdays, the pilots must step further fund the training cronometrado - which lasted 1:30 a.m.. The first ten vain for a new qualification, which defines the pole position. All have chances very close to classify and to win a trial. It may be up to 30 cars remain with the same number of minutes and seconds of time. There are teams and stronger and experienced pilots, who have just naturally been emphasizing. But the fight usually by fractions of thousandths of a second.

There is also dispute behind the scenes, because the money involved is high. The organization of the event cost around $ 30 million per season. In other words, dollar is right for autódromos, hotels and businesses, which generate 2,650 direct and indirect jobs and about five thousand temporary. The awards reach $ 3.5 million per season. Pilots can gain of $ 100 thousand $ 1 million between awards, sponsorships, lectures and commercial contracts. And still champion bill an extra $ 500 thousand. Therefore, the category remains the elite of the national car-among them, eight ex-pilots of F1.

This year, the Stock Car had sponsors millionaires such as Goodyear, Texaco, Bosch and Nokia. “In addition to race, place, behind the scenes, display of products and there are boxes with infrastructure. Are ten thousand visitors every corporate proof,” says Carlos Col, president of Vicar. If depend on competition enlouquecida at the track, the number should grow further in the coming years.

FOR INSIDE OF A STOCK CAR
CARTS ON THE MECHANICAL:

CHASSI
Tubular, done cromomolibdênio, with plates of steel and carbon fiber and coating antichama.

MOTOR
All are V8, with 450 horsepower power to 6,000 rpm. The consumption is around 1.5 kilometers per liter.

SUSPENSION
Independent on four wheels with adjustable bars.

DIREÇÃO
Do type and pinhão rack, with hydraulic drive by electric pump.

WHEELS
In light alloy, with 10.5 x 18 inches, manufactured in Brazil by Binno.

TIRE
Pirelli, manufactured in Brazil, model 285/645 VR 18, both in the front as in the rear. In case of rain, are used tires frisados.

BRAKE
The disc, the Fremax, with independent system for each of the four wheels.

EXCHANGE
They are permitted two types: a national (Bertolotti), and another Argentine (Saenz GT-910). Both have five marches.

TANQUE FUEL
He has maximum capacity to 85 liters. It is the gasoline, produced by Petrobras.

OXIDE NITROSO
When injected in the carburetor, the compound NOS (that same movie Velozes and Furiosos) increases the limit of revolutions of the engine, generating even more power. But the rule says that it can only be used three times a proof.

MINIMUM WEIGHT OF CAR
Around 1,250 kg. Includes uniform of the pilot-macacão, gloves, sapatilhas, helmet and fluids.

FERA OF NEW GENERATION
Daniel Serra, of Red Bull Racing (Volkswagen), in only 23 years, is in his first season in the Stock Car and already has a place in the playoff. He inherited much of his father’s talent, the veteran pilot and also Pistes Chico Serra. Daniel debuted in the kart to 14 years and in 2002 was vice-champion of the Brazilian Formula Renault, with three wins and four pole positions. In 2006, he won the league’s vice Stock Car Light, which opened the door to the main category. In debut, made the pole at Interlagos.

Why did you decide compete for Stock Car?
Or pilot of the Red Bull, which is a superequipe, a sponsor that invests in the car. The Stock Car is the top category in Brazil. It is challenging. The cars have 100 horses the most, the tires are better and the exchange is sequential. It is a car that requires a much greater attention of the pilot. And people walk on the edge. The car is the most difficult and technically I already guiei in my life. Because it is more cumbersome than one of the Stock Light, I need to have more patience. Do not give to enter with everything in a curve, for example. But it is exciting.

As floor at the tip?
If you distrai by a tenth, you can lose ten positions. So you need to be, at most, three tenths of first place. The team needs to be fast and accurate.

Tira is the difference in the arm?
It is difficult, because only has fera pilotando. It must be 100% perfect. In Stock no margin for error. You need to score well and all the evidence. The championship will be decided only in the last test in Interlagos.

THE BEGINNING OF CAREER OF PILOTOS
The success of the category it has promoted two doors of access. The Stock Car Light was established in 1993 to be a channel of access to estreantes. Already the Stock Jr. It is the springboard for campões the kart give continuity to their careers and prepare for the competitive environment and the technical principal mode. “The Stock Car has created conditions for large pilots of the national car did not need to go outside to show their talent,” says Carlos Col, president of Vicar.

From: UM Magazine - Male Worlds